Hoje é dia de estreia no VNE! No #VinilDaSemana temos a primeira contribuição do nosso querido @xwellferreirax que já começa com o pé na porta trazendo pra gente nada menos que o Summoning e o seu álbum 'Let Mortal Heroes Sing Your Fame'!
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Lançado em 05 de novembro de 2001, numa data bem próxima da estreia de uma das maiores franquias da história do cinema, a trilogia do Senhor dos Anéis, coincidência ou não a história do Summoning sempre vai estar conectada de forma intrínseca ao universo Tolkien. É a banda referência dentro do heavy metal quando se trata de Terra-Média e o escritor inglês criador desse magnífico mundo literário que inspirou o cinema, o teatro, a música e a arte em geral. A dupla austríaca no seu quinto álbum vinha de uma sequência incrível de grandes clássicos do Atmospheric Black Metal e para manter esse ritmo a banda traz como novidade uma sonoridade mais sinfônica e atmosférica. E outra inovação no som foi o uso extensivo de samples de áudio tiradas de produções de rádio de O Senhor dos Anéis, dando um tom mais dramático nas músicas. As letras continuam baseadas nas obras do já mencionado J. R. R. Tolkien, mas também com inspiração nas obras de fantasia de Michael Moorcock. A arte da capa é baseada na pintura de Mark Harrison, Draco Niger Grandis (1999), cercada por uma moldura vinda do The Aino Myth, Triptych (1891), de Akseli Gallen-Kallela.
O álbum abre com a maravilhosa intro “A New Power Is Rising”, um recital lento e hipnótico da inscrição do Um Anel, “Ash nazg gimbatul, Ash nazg thrakatulûk, Agh burzum-ishi krimpatul”, uma atmosfera épica acompanhada de uma percussão que lembra muito uma marcha marcial e também o uso de um trompete sintetizado que marca o inicio de uma viagem ao desconhecido. Logo após começa a faixa “South Away” que já começa com um riff de guitarra incrível, um dos melhores da carreira da banda, aqui os vocais rasgados de Silenius divide momentos com um sample dizendo “Hail , Éomer, king of the mark”. A terceira faixa “In Hollow Halls Beneath the Fells” tem como destaque o uso de um teclado suave muito bem executado, a presença de elementos percussivos e por último e não menos importante o trabalho vocal de Protector que nessa música brilha muito.
A quarta faixa do álbum chamada “Our Foes Shall Fall”, que facilmente poderia fazer parte da trilha sonora dos filmes do Peter Jackson, narra a história dos anões de Erebor e sua vitória na reconquista da montanha solitária. Em sequência começa a épica “The Mountain King’s Return”, onde o vocalista Silenius canta a canção “O Rei Sob A Montanha” contida no livro O Hobbit, uma bela homenagem ao personagem Thorin, Escudo de Carvalho. A música já começa com uma intro que impõe respeito que posteriormente dá espaço a um som suave de harpa que muda totalmente o ritmo da canção e em seguida entra o vocal gutural e o teclado que complementam toda uma atmosfera. Ainda nessa mesma faixa, há o uso de samples que causa um efeito bem dramático no som.
“Runes Of Power” começa trazendo uma bateria sintetizada lembrando o som de tambores e um trabalho de teclado maravilhoso; a sonoridade é arrastada e ao mesmo tempo intensa e deixa para o guitarrista Protector o trabalho fundamental de carregar o ritmo da música, trabalho esse que é feita de forma impecável. Logo após tem início a melódica “Ashen Cold” que no álbum fica um pouco apagada e em breve você leitor saberá o motivo, uma faixa lenta e triste que brilha nas suas variações onde o teclado assume a frente e flerta com o Dugeon Synth e o Dark Ambient, os momentos onde foram encaixados os samples criaram uma relação interessante com os vocais do Protector.
E para encerrar essa jornada em um tom de despedida já no título da canção, a apaixonante “Farewell” com seus nove minutos do mais puro Epic Black Metal que já chama a atenção no seu inicio com sons de trompetes anunciando esse clássico, a entrada da bateria arrastada acompanhada dos vocais guturais e da guitarra crua presente no fundo. Em seguida, ocorre uma breve pausa nos instrumentos, mas mantém apenas o teclado que cria uma ambientação hipnótica e aconchegante para depois retornar com os instrumentos e o vocal. Até essa parte da música tudo normal, até que o refrão chega de forma abrupta, um coral masculino deslumbrante que torna a música ainda mais épica. Esse refrão apresenta pela primeira vez na carreira da banda o uso de vocais limpos masculinos; lembrando que o álbum anterior continha vocais limpos femininos; esse momento deu início a uma nova era para o Summoning e se tornou frequente o uso desse tipo de vocal nas suas músicas.
Let Mortal Heroes Sing Your Fame entrega uma sonoridade já conhecida da banda, porém, com a adição de novos elementos que serão mais trabalhados no próximo álbum o Oath Bound. A pegada atmosférica e os elementos sinfônicos conversam muito bem com o Black Metal que a banda faz. O Dugeon Synth, presente nesse álbum, é a cereja do bolo que torna tudo muito épico e especial. Esse álbum é bastante conciso, todas as músicas são bem trabalhadas, apresenta uma sonoridade cativante que justifica os 56 minutos de duração que passam voando. O álbum pode ser descrito como uma trilha sonora de uma história de coragem e heroísmo, onde a música pesada e o universo fantástico fazem um belo par romântico.
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